Não dá para negar: Johnny Depp é um ícone. Ele é o ator mais bem pago de Hollywood, regularmente é eleito como o homem vivo mais sexy e um dedicado pai de família. Em uma entrevista para marcar a estreia de Alice no País das Maravilhas no canal de TV paga Sky Box Office e de Inimigos Públicos no Premiere HD, ambos em junho, a revista Sky Movies penetra a mente de um dos astros hollywoodianos mais desejados.
Sentado à frente da equipe Sky Movies no deslumbrante Hotel Renaissance
Tendo assinado para Piratas 4, falamos com o sempre tranquilo ator de 46 anos sobre seu retorno às águas salgadas, seu igualmente excêntrico papel como Chapeleiro Maluco em Alice no País das Maravilhas e seu aclamado trabalho como John Dillinger
Sky Movies: O que o fez aceitar o papel de John Dillinger?
Johnny Depp: Eu era fascinado por ele quando criança, estranhamente. A mesma fascinação que eu tinha com Charlie Chaplin ou Buster Keaton. Havia alguma coisa inerente que eu adorava
SM: Trabalhar nas locações onde Dillinger realmente esteve afetou sua forma de atuar?
JD: Oh, sim. É tudo. A ideia de que você pode estar no exato lugar onde John Dillinger deu seu último suspiro lhe entrega a performance. Você sabe como reagir a tudo.
SM: Como foi trabalhar com Marion Cotillard?
JD: Oh, ela é maravilhosa. Ela passou muito tempo com a família de Billie Frechette [seu personagem] e melhorando seu sotaque. Foi tão comprometida - uma atriz incrível.
SM: Você fez alguma programação para sua carreira até agora?
JD: Tenho sido muito sortudo no sentido das coisas chegarem quanto têm de chegar. Eu não esculpi nada. Tenho sorte em ter pessoas como Tim Burton me apoiando - quando o estúdio não quis me contratar para A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Tim lutou por mim.
SM: Como você escolhe seus papéis e como é pular de um grande personagem para outro?
JD: Tudo depende do material e o que o personagem exige. Foi interessante sair de Inimigos Públicos, interpretando John Dillinger - uma pessoa real com uma intensa gravidade - para ir direto ao Chapeleiro [em Alice no País das Maravilhas de Tim Burton]. Foi libertador, pois esse personagem poderia ser essencialmente qualquer coisa. Em um minuto ele está assustado como uma criança, no minuto seguinte está cheio de raiva e falando com um sotaque escocês. Para mim, foi como ser colocado em um foguete e ser lançado na estratosfera... Como ator, acho que você deve ser diferente todas às vezes para não entediar a si mesmo, a audiência e os diretores.
SM: O que o atraiu no Chapeleiro Maluco?
JD: Eu terminei de ler "Alice" e "Através do Espelho" e me lembro de ter marcado todas essas passagens incríveis, essas pequenas migalhas que Lewis Caroll deixou cair. Charadas como "Porque um corvo se parece com uma escrivaninha?" e "Estou investigando coisas que começam com a letra 'M'!" Senti como se o Chapeleiro representasse todos os extremos da personalidade humana. Houve alguma dificuldade para mim alcançá-lo... Quase como um distúrbio de múltipla personalidade.
SM: Você tem tantas mudanças de humor quanto o Chapeleiro?
JD: Geralmente, sou muito calmo. Estou muito mais calmo agora do que era alguns anos atrás. Muito disso tem a ver com criar uma família - você tem que ter quantas respostas forem necessárias para eles. Meus filhos me acalmaram 100%.
SM: Como sua carreira afeta seus filhos?
JD: Uma coisa que posso dizer é que meus filhos nunca ficam entediados. Eu experimento personagens com eles e eles parecem reagir muito bem... São os melhores. Minha filha, Lily Rose tem 10 anos e quando estou fazendo um filme ela pergunta "Posso ver esse?", porque obviamente há alguns que ela não pode ver antes dos 60! Ela e meu menino, Jack, assistiram Edward Mãos de Tesoura e choraram... Não posso dizer que eles podem assistir qualquer outra coisa. Eles surtariam... Eles têm uma grande, grande imaginação e são crianças muito divertidas. Meu medo é que provavelmente se tornem atores.
SM: Você pode falar sobre seu próximo filme, The Rum Diary?
JD: The Rum Diary foi um sonho. Foi algo que Hunter S. Thompson e eu falamos sobre em 1997 e o fato de que ganhou vida do jeito que aconteceu com um diretor perfeito, Bruce Robinson, e um grande elenco... Incrível. Foi exaustivo, mas uma grande experiência. Então, estou feliz e orgulhoso de ter terminado por Hunter.
SM: O que podemos esperar de Piratas 4?
JD: Eu assinei sem um roteiro... Eles me envolveram no processo criativo e estão recebendo minhas ideias muito bem, o que tem sido legal. Está tudo se encaixando. Há algumas razões para eu ter assinado para Piratas novamente. De forma egoísta, eu verdadeiramente amo o Capitão Jack Sparrow e acho que há mais a ser explorado. O primeiro Piratas foi próprio. Piratas 2 foi a ligação que nos levou a Piratas 3, na minha opinião, os filmes foram muito bem feitos, mas gostaria de fazer um Piratas que não fosse enrolado e sim, divertido, para entreter. Essa é realmente minha principal motivação para fazê-lo.
SM: E finalmente, como é ser Johnny Depp hoje em dia?
JD: Sou muito básico, uma cara bem simples. A maior parte de mim tem a ver com arte ou criação de alguma coisa. Não consigo escapar, sabe... Mas eu? Dê-me um bom livro, a garrafa de um bom vinho e um dia com brisa que estou feliz. Temos um ótimo lugar [no sul da França] e vou lá e não faço nada. Vou lá e não deixo a propriedade por três meses de cada vez - literalmente, levanto, saio, vejo o jardim e assisto os vegetais crescendo. Nunca conversamos sobre filmes ou trabalho... Levamos as crianças para caminhar e fazer piqueniques. É a existência perfeita. É realmente uma bela vida e há outro elemento que tem uma influência calmante: apenas ser capaz de ter um tempo especial com meus filhos onde telefones não tocam e pessoas não estão te seguindo na rua.
Abaixo, veja os scans da revista:
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